Aparências, essa coisa de metido a burguês, ou nem tanto que ilude os demais que vivem connosco, trabalham connosco, comem connosco...
Aquilo que é capaz de levar-nos a fazer disparates e no fundo que condiciona tudo o que fazemos, sem quê nem porque!
É duro, porque quem olha apenas a aparências é iludido, iludido pela beleza, iludido pela riqueza, iludido pela moda..
Será que as aparências fazem sentido de existir? Pergunto que tipo de vontade deverá surgir quando uma mulher olha um ricaço horrível na rua! “Olha aquele jeitoso!” ou “Olha pá quilo, feio mas cheio de dinheiro!”
Porque será que algumas acham que vale a pena o esforço de aturar um homem apenas pela aparência que este lhes pode proporcionar.
Atenção: o mesmo vale para o sexo oposto..
Eu olho, claro, mentia se dissesse que não via a aparência das pessoas, não julgasse pela aparência, mas existe tanto mais... Muito mais que a bela ou feia aparência.
Se há coisas que gosto é de criar uma barreira à minha volta, daquelas que julgam o que sabem o que penso, mas apenas estão a ser iludidos, pela minha aparência de bem estar, pela minha aparência de pessoa forte, bem formada e segura de si própria, quando no fundo, por vezes, sinto-me mais pequenino que um palito, mais fraco que uma varinha e inseguro que um pedaço de madeira podre, mas daqueles bem podres quase em pó!
Pensam e falam comigo, mas toda a minha experiência em conversas resume-se a 2 palavras: perca tempo! Pois são daquelas conversas épicas, cheias de floreados e circulantes, mas que nada adiantam, nada se conclui, nada se crava senão a dor, a dor e angustia de ver que tudo o que se disse, tudo o que se destapou de nada adiantou e ainda nos tornou mais vulneráveis, mais despidos de nós, do nosso orgulho e do prazer que sentimos ao manter a aparência.
É como que uma racha que se abre no muro que erguemos, comprometendo toda a sua estabilidade, todo o seu esplendor, sem nunca sabermos se o vamos conseguir restaurar, se vai resistir à próxima intempérie. Valerá a pena o esforço? Numa vida já de si tão curta!
quinta-feira, 3 de maio de 2007
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