De certeza que ser mãe a 100% é difícil, mas é uma tarefa que muitas mulheres estão dispostas a aceitar.
Grande dom, o de dar a vida!
A vida dos pequeninos começa, e desenvolve-se e a certa altura anseiam por voos mais altos, para partirem para a sua vida.
E, se antes de partirem, as zangas eram algumas, todas elas tinham a pressão do dia-a-dia, todos os dias filho e mãe se cruzam e todos os dias convivem…
Isso tende a facilitar a resolução de conflitos, sejam conflitos de amor, sejam conflitos de interesse, sejam conflitos de perspectiva…
Conflitos! São o que são, muitas vezes não têm importância, mas outras vezes fazem toda a diferença.
É um tema complicado que tento sempre fugir, o que acontece é que quando se sai de casa, queremos o nosso espaço, a nossa vida, as nossas coisas, enfim criar a nossa realidade. Não que os pais, em concreto a mãe deixe de fazer parte dela, NUNCA o deixará! Mas a realidade altera-se.
Para alguns de nós – filhos – para estarmos sozinhos, para outros para termos uma companhia “perfeita”. E, claro, como consequência começamos a pensar de maneira diferente. Em especial, no último caso, é preciso dar a consciência de que existem 2 mães, ou supostamente assim deveria ser, acrescentando dificuldade à gestão de relações. Mas acima de tudo é preciso ter a consciência que por vezes são os próprios filhos que não se querem aproximar demais.
Não quando são sempre contrariados, não quando nunca têm razão, não quando nunca podem falar, não quando se sentem recriminados, não quando são apontados, não quando NUNCA são ignorados.
Por vezes gostava de ser ignorado, que as minhas atitudes pudessem ser ignoradas, que não magoassem, que simplesmente as pudesse tomar sem consequências, porque de facto, todos temos de fazer a nossa vontade de vez em quando.
Hoje estou chateado com a minha mãe, sim! Porque será que nunca sou capaz de lhe fazer entender que muitas das decisões que a magoam sou eu que as tomo de livre vontade, porque será que ela não entende que, às vezes, os filhos são os “maus da fita”, porque será que não aceita as decisões que se tomam.
Muitas atitudes que recebo, das coisas que oiço no meu dia-a-dia chateiam-me, aborrecem-me, magoam-me, desiludem-me e não é por causa disso que desato a falar mal com todos, que repercuto as minhas atitudes em todos (ou só numa determinada pessoa)!
A vida é assim, e a maior parte das mães devia saber como reagir, afinal de contas já fizeram algo parecido com as mães delas.
Acredito que o desejo seja de ter sempre os filhos perto, mas chega uma altura que é necessário cortar o cordão umbilical que liga não à 9 meses, mas por vezes à mais de 20 anos! E há que deixar ir, porque na verdade a relação altera-se, mas só vai para pior se quisermos manter a corrente intacta, há que saber modular a relação e aceitar que nem sempre se pode estar junto, nem sempre se pode ter… Mesmo que isso aconteça nos dias que são nos são mais importantes..
Mãe, tu és a 365 dias/ano, mas já acontecem muitos anos que não me tens a 365 dias/ano, a questão que se deve levantar não é se estou presente nos dias que queres/gostarias, mas sim na boa vivência e no desfrutar dos momentos que nos encontramos, não achas?
Até!!
sábado, 5 de maio de 2007
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